sexta-feira, 14 de junho de 2013

Por que você não deveria usar a Bíblia para justificar seu preconceito


O ponto mais frequentemente levantado por quem se diz “contra o homossexualismo” é, tanto no Brasil quanto no mundo, o de que seus livros sagrados condenam a homossexualidade. É com base nos livros sagrados que alguns países consideram a homossexualidade até crime, passível inclusive de pena de morte, enquanto tantos outros já tiveram em sua história leis contra “homossexualismo” exatamente pelo mesmo motivo.

A posse do deputado e pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias gerou uma grande quantidade de protestos por parte de pessoas que o consideram racista e homofóbico. Como consequência, outra parcela da população veio em defesa do deputado, dizendo que suas declarações foram distorcidas, mal interpretadas e/ou descontextualizadas. Grande parte dos defensores de Marco Feliciano é composta por cristãos, em especial evangélicos, que defendem o direito de serem “contra a homossexualidade” e sentem-se representados pelo deputado.  A ex-senadora Marina Silva foi uma das que recentemente questionou os ataques ao pastor, afirmando acreditar que ele sofra preconceito por ser evangélico – assim como ela. Contudo, redimir o deputado tem sido uma missão cada vez mais espinhosa para seus defensores à medida que são divulgadas mais e mais falas preconceituosas do pastor. Mas este texto não é sobre Marco Feliciano ou esta disputa.

Acontece que tudo isso fomentou debates e criou contextos para que as pessoas manifestassem suas opiniões sobre interferência de valores religiosos no Estado, sobre homossexualidade e direitos humanos.  Após a recém-aprovada união igualitária então, muitas pessoas têm feito questão de tornarem públicas as suas opiniões a respeito. Já escrevi um texto aqui mesmo sobre a importânciado Estado Laico e não retomarei esta questão. Tratarei aqui de outra coisa que tem aparecido muito desde que esses debates fervilharam, aquela que é a justificativa mais frequente para a condenação da homossexualidade ou de basicamente qualquer coisa quando não restam mais argumentos:

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A larva




Há, nos comes e bebes, no cigarro na língua
Uma praga, como uma larva
Que diante de um beijo se míngua
E de uma lembrança se crava

domingo, 16 de setembro de 2012

Dia torto



Dia Torto

Hoje o dia nasceu torto
Meio que ao avesso
Antes do sol cair morto
Sou eu quem anoiteço

Não sei se choro ou se vomito
Carência, raiva, melancolia
Não sei as palavras e me irrito
Com o maldito deste dia

Quero me prostituir na rua
Dirigir rumo ao infinito
Morar numa zona de conflito

Quero voar e cuspir na lua
Desaparecer sem deixar vestígios
Chorar por três dias seguidos

(Vou sem dó ou higiene
Enfiar o dedo na ferida

Hoje quero me banhar de querosene
e tacar fogo nessa vida)


[Pedro Sampaio, 2011]

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Semiótica de Peirce

Charles Sanders Peirce foi o fundador da semiótica, do pragmatismo, além de ser considerado um dos maiores lógicos, matemáticos e filósofos da ciência de todos os tempos. Dediquei um tempo a estudá-lo, cheguei a manter um grupo de estudo de semiótica onde debruçamos quase que exclusivamente sobre sua obra (porque o grupo acabou antes de podermos avançar muito mais). 

Escrevi o texto a seguir, onde sintetizo os principais conceitos da semiótica de Peirce, em 2007. Como psicólogo, cansei de ouvir e ler professores e colegas falando sobre sua filosofia sem o menor conhecimento de causa, me incomodando esse uso: Peirce se tornou um coringa intelectual, ao qual pode-se remeter quando quer sustentar uma ideia hermética, já que quase ninguém se deu ao trabalho de lê-lo. Não que eu seja um especialista no autor, mas acredito que esse resumo possa ser um guia básico sobre a construção de sentido para o autor. 


Para behavioristas radicais, serve ainda para conhecerem outra faceta do pai do pai do pragmatismo e perceberem como seu pragmatismo jamais chegou perto de blindá-lo do que chamamos de mentalismos.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vazias

Esse poema de duas estrofes foi escrito em junho de 2011.

Segue:




Vazias

É preciso muita disciplina
Para obrigar-se a não
Deslumbrar-se por quem te fascina
Por causar-te facilmente uma ereção


(O sangue passa por outras vias
Que não as veias genitais
E estas mulheres, as vazias
Não oferecem muito mais)


[Pedro Sampaio, Junho de 2011]

sábado, 14 de julho de 2012

Max

Um (estranho) conto de 2005:



Max 

Fiquei sentado lá durante horas, lendo e relendo, interpretando cada enigma dos jornais. Sentia uma dor terrível nas ancas, o suor em minha calça de linho parecia corroer pedaços de minha perna. Depois de dias varando o tempo com os olhos esbugalhados, decidi tomar as rédeas de meu pensamento: dirigir-me-ia até a máquina de escrever, pegaria aquele pedaço de papel e bateria nas teclas até que me faça entender!
Suporto muito mal a vida, nauseia-me o cheiro dessa cidade, as cores dos móveis, mas nada tão insuportável como os artigos semânticos desses jornais.

Sem sair da cadeira, estico-me até a máquina de escrever e a arrasto até mim, estico-me até o papel e o arrasto até mim. Preparo tudo: máquina, papel, dedos e olhos. Certo. Vamos à guerra...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Difícil não ficar deprimido! - Entrevista com o psicanalista francês Eric Laurent

Eric Laurent é um dos mais famosos psicanalistas do mundo e concedeu essa entrevista que foi publicada na revista Quatro, número 93, em junho de 2008. Ela não está disponível na internet em nenhum idioma e muito menos existe alguma outra tradução, mas segue o link para quem quiser comprar o original:

Nela, Laurent fala sobre a depressão e suas idiossincrasias; desde a imprecisão diagnóstica até o excesso de medicação, passando também por algumas questões históricas.

A entrevista repercutiu bastante na França e a pedido de uma professora, quando eu ainda me orientava pela psicanálise, traduzi a entrevista do francês - como já fiz com vários outros materiais psicanalíticos que não tinham tradução. Compartilho ela agora com vocês, lembrando que as opiniões expressas na entrevistas não representam necessariamente as minhas opiniões sobre o assunto.